por Redação Liderança
Muitos a consideram como o tipo de organização ideal para se trabalhar.
Outros acreditam ser um ambiente de trabalho ineficaz. Estamos falando
das empresas de controle familiar.
“Inicialmente, é preciso compreender que os gestores das empresas
familiares são seres humanos – e, como tal, são indivisíveis, ou seja,
os gestores jamais conseguirão ter um completo desprendimento entre a
vida familiar e os negócios. Até porque os negócios nascem e crescem com
todo um envolvimento e cumplicidade da família.” É o que nos garante
Marcus Vinicius Pereira, psicólogo organizacional e especialista em
qualidade e produtividade.
A verdade é que, comandadas por herdeiros, cônjuges e sucessores, as
empresas familiares constantemente servem de exemplo do que não fazer
para administrar os negócios. Casos de insucesso, como a trajetória da
tradicional família Guinle, antiga proprietária do Copacabana Palace,
mostra bem como uma fortuna acumulada em anos pode ser perdida em pouco
tempo nas mãos de uma geração mal preparada para tomar conta dos
negócios.
“No mundo, acredita-se que a média histórica de empresas familiares que
sobrevivem até a terceira geração é de, no máximo, 10%. No Brasil,
especialistas garantem que menos de 5% delas vingaram até o neto ou
bisneto assumir o comando”, diz Richard Doern, consultor de empresas que
tem atuado com Turnaround Management, algo como “recuperação de
empresas” ou “administração de empresas em crise”.
A contratação e a demissão de um familiar
– O que é certo é que, em uma empresa familiar, os donos fundadores já
têm seus cargos específicos: de donos. No entanto, isso não significa
exatamente que eles sempre administrarão os negócios. O que acaba
acontecendo nessas companhias é a sucessão ou situações em que o
fundador continua administrando a empresa em conjunto com seus
familiares diretos e/ou indiretos.
Outras vezes, a melhor maneira de resolver a evolução da empresa é mesmo
transformar os donos em conselheiros e contratar profissionais
capacitados para administrar, deixando a família fundadora no controle
de números, estratégia e acompanhamento.
Em todo caso, para Tom Coelho, consultor e especialista em marketing, a
tarefa de um líder que precisa integrar um parente “poderoso” na
estrutura hierárquica de uma empresa familiar nunca é uma tarefa fácil e
deve envolver um processo com muito diálogo e reflexão.
» Quem contrata deve: expor os direitos e deveres, valores da companhia e normas de conduta.
» Quem demite deve: planejar a demissão para evitar conflitos e
intrigas; em seguida, comunicar aos familiares próximos e diretamente
àquele que será demitido, expondo claramente os motivos da demissão.
Administrando conflitos
– Estabelecer desde o início do relacionamento uma linha divisória
entre família e empresa é a grande chave da liderança para se evitar
conflitos. “Dentro da organização, palavras como ‘pai’, ‘mãe’, ‘filho’,
‘irmão’ ou ‘cunhado’ devem ser proibidas. Todos devem ser chamados pelos
nomes”, garante Coelho.
Enfim, no ambiente de uma empresa familiar, mais do que nunca, os
líderes devem se lembrar de que os problemas e as disputas pessoais
também precisam permanecer da porta da empresa para fora. Evite, a todo
custo, as discussões que invadem corredores e transpõem as paredes e
divisórias do escritório. Isso contamina as equipes com fofocas e falta
de comprometimento, como acontecia no auge da monarquia que, onde não
foi extinta, sobreviveu às custas da modernização de seu discurso e do
auxílio plebeu do parlamentarismo.
Fonte: Liderança Online

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